Pêlo na Venta experimenta | Equitação

O cavalo era enorme e eu estava, confesso, bastante nervosa. Foi há 5 anos atrás, foi o primeiro e, até há 3 meses atrás, o único. Recordo-me que estive a montar durante quase uma hora, correu tudo bem…. embora tenha ficado um bocado dorida.

Calma… não há nada de porn nesta história, mas já que cá estão, fiquem para o fim!

Depois de ter experimentado em 2013 a equitação (embora a “brincar”) este bichinho ficou e, bastante tempo depois, decidi experimentar novamente mas agora a sério. Faz 3 meses que me inscrevi na escola de equitação e hoje deixo no diário um breve resumo desta experiência.

Os cavalos são os animais mais próximos do tamanho de um Dinossauro em que já toquei. Já estive ao pé de girafas e elefantes no zoo, de vacas mirandesas e bois de cobrição, mas a uma distância assim tão curta, ou seja, em cima deles, nunca. A bem dizer nunca tinha sequer tocado um, quanto mais montado.

Lá fui eu cheia de coragem para a aula experimental. O espaço seduz de imediato e os mais de 50 equinos que lá moram arrebatam-nos o coração, mas também o deixam acelerado. O relinchar, assim de perto, parece aquelas pessoas que quando espirram soltam as entranhas pelo nariz. Assusta um bocado.

Mas, depois de chegares, lá é selecionado o bicho que te vai levar a passear (e deixar o rabo amassado) e antes de o montar sentes uma cena esquisita, quase como se te tivessem escolhido um par para um relacionamento, numa espécie de blind date: Não sabes nada sobre ele, ele não sabe nada sobre ti, mas sentem que têm de confiar um no outro para a coisa resultar.

KM2

Para piorar a situação é obrigatório usar um toque (um chapéu, capacete, como preferirem – mas a minha professora atira-me do cavalo abaixo se não usar a terminologia certa), e sentes-te tudo menos bonita e confiante no teu primeiro date.

fazer amizade com o cavalo

Para quebrar o gelo, são feitas as apresentações e convidam-te literalmente a passar-lhe a mão. A crina parece o meu cabelo com chocas (sabem o que são chocas?), depois de um dia de praia, com salitra ressequida. Em contra-partida o focinho (mesmo a pontinha) parece um marshmallow gigante (não porque o lambi, mas sim porque é esponjoso e fofinho). Sou uma moça de 166 cm e mesmo assim o lombo do cavalo consegue cortar-me a visibilidade para outro lado – é, o bicho é grande (mas pelos vistos nem era dos maiores).

Montar o cavalo

Agora vem uma das partes mais giras: Para subir para cima do cavalo vamos até uma rampa elevada para ficar a uma altura possível de lançar uma perna sobre o dorso dele. E é neste momento que tens o primeiro pensamento pessimista: Ele vai-se assustar, vai dar de frosques e eu vou dançar aqui o “quando ela bate com a bunda no chão”. Esqueço-me é que não sou a primeira moça que o monta e que o bicho já está mais que habituado a estas abordagens surpresa de parceiros desajeitados, assim meio por trás, meio de ladeiro (é inevitável não haver associações porcas quando se fala de cavalos e montadas, mas estou a fazer um esforço para resistir).

Claro que corre tudo bem e lá vamos nós, qual amazona, mas com ar de dor, porque o cavalo não tem uma sela, mas sim uma manta para ires ganhando calo, que te deixa sentir as vértebras todas do animal ali na zona onde Moisés separa os mares. Mas tirando isso, porreiro.

tenor

Passo, trote e galope

Andar a passo é a parte simples. Mas esta experiência não teve nada a ver com a primeira aula que tive em tempos – aqui aprendes bases sólidas, nomeadamente a montar só com as pernas. Não há estribos (cena para por os pés), não há rédeas (cena que toda a gente acha, erradamente, que é para segurar as mãos) e não há sela (cena que todos acham que é uma espécie de amortecedor para glúteos, tipo um sofá confortável): Antes de montares com o kit todo, tens de ser capaz de montar sem ele.

Ora parece que a idade é um posto e todos estes anos a fazer exercício me deram alguma confiança e noção corporal, por isso a professora desafia-te para um trotezinho. Para perceberem a sensação física de andar a trote pensem em quando eram crianças e iam às cavalitas de um colega que corria convosco às costas – é parecido, só que mais alto. É também o mais perto que estou de fazer twerk!

A bunda fica descontrolada, as nádegas oscilam da direita para a esquerda e vice-versa enquanto o resto do vosso corpo vai numa saltadeira como se estivessem em cima de um martelo pneumático. Apercebes-te de imediato de uma das muitas falácias da vida: ironicamente, para montar bem, precisas é de pensar sempre em manter as pernas fechadas.

ajajaka

Quando dás por ti, já tens o rabo adormecido e a musculatura das coxas a relinchar mais alto que o cavalo. Mas, ainda que na primeira aula e um pouco a tremelicar de emoção, parece que até me estou a safar bem e a professora faz a pergunta de ouro: “Queres experimentar o galope?” – oh, se quero!

Lá vamos nós para o galope e aqui, imaginem-se numa mota, parada no semáforo, a arrancar enquanto saca um cavalo (claramente é daqui que vem a expressão) porque o teu corpo leva uma chicotada para trás e depois és de imediato projetada para a frente – lá em cima, parece que ele passou dos 0km/h aos 100km/h em 3 segundos, como se estivesses no The Fast and the Furious, mas na verdade nem vais assim tão depressa. Depois da assapadela inicial lá percebes o que tens de fazer: assemelha-se a uma dança em compasso ternário – uma valsa equina (só que o teu par faz cocó na pista).

– pequena pausa para o cavalo obrar no centro do picadeiro –

A experiência é única! Sentes-te a rainha da pista, que tens um dom e que nasceste para isto e por isso voltas. Na segunda aula, lá vamos nós cheias de confiança e o que é que acontece? Isso mesmo… montas um cavalo diferente.

Bricadeirinha. Afucinhei mesmo.

Quedas

Espetas-te redonda no chão que é para não ter armares em princesa Xena Guerreira e manteres os níveis de humildade no ponto. O cavalo começou o galope, num círculo no sentido dos ponteiros do relógio, e o meu corpo começou a fazer um drift de traseiro no lombo do cavalo. Quando dou por mim, vou com o rabo todo de lado, já desalinhado para fora e tens duas opções: 1- rezar uma avé-maria e esperar uma miraculosa recuperação digna de um circense; 2- atirares-te para o chão (que tem cocó) e rezares na mesma a avé-maria para que o cavalo não faça das suas patas um pisa-papeis e de ti uma folha A4.

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Não parti nada, tenho ainda os dentes todos, e não fiquei com medo. E voltei. E fui voltando sempre e tenho a honra de vos contar em primeira mão que tive, pela primeira vez, a oportunidade de mostrar os meus dotes com público a aplaudir…. (eu queria dizer que participei numa competição de saltos, nas não vou ser aldrabona), mas montei pela primeira vez, após umas 10 aulas, sem guia, que é como diz: sozinha, sem cordinha e sem ser em círculos. Big deal (pelo menos para mim foi).

Estou a evoluir devagarinho e estou na fase em que, literalmente, tiras a carta de condução. Agora aprendes onde é o travão, acelerador e piscas (não venham com a piada da buzina). Mas mais importante que estar a evoluir, estou a adorar a aprendizagem, o convívio com estes seres fantásticos e o ambiente da escola que escolhi para a prática!

Tirando um rabo quadrado, coxas pisadas e dormentes, saio de lá muito bem, feliz e confiante (ainda que com um andar novo). Descobri aos 30 que adoro montar! E com esta vos deixo… e com um registo fotográfico modesto.


Visitem a escola – Clube Hípico do Norte – que oferece preços interessantes e vários packs. Agradecimento especial, desta vez, à minha excelente professora que me faz sentir a maior e ao mesmo tempo uma menina ao lado dela. Sabes tanto Marta! Parabéns pelo fantástico trabalho e pela paciência.

Ajuda o pêlo a crescer!

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