Pêlo na Venta desabafa | “Fui a Ana Malhoa por uma noite”

A alma da ilustre e única Ana Malhoa encarnou em mim. Que honra! Era noite de Canarval e, simultaneamente, uma festa de aniversário com disfarces. La máquina de fiesta saiu por aí, a pedir finos turbinados e pregos calientes para o jantar.

Não escondo de ninguém que adoro festas de disfarces! E gosto ainda mais de me disfarçar de personas, reais ou não. Desde a Ana Malhoa, ao Zé bêbado, até à Zéza beata (os últimos dois, meus heterónimos). Desde que possa divertir as pessoas à minha volta, não me importo de me voluntariar como bobo da corte. Se tivesse vivido na era medieval, esse seria provavelmente o meu emprego.

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E atenção porque, no que toca a festas de disfarces, eu não me fico pela máscara. Toda eu assumo o papel da personagem e é um dia, noite, o que for, disto. Desta vez a estrela foi a Ana Malhoa.

Não sei muito bem porque me lembrei dela, mas talvez houvesse ali uma parte do meu subconsciente que sempre quis ser a apresentadora do Buéréré. Lembram-se da música “Sabes que começou no A”? A original? Começava com umas 5 batidas e ouvia-se um, bem alto, “EEH!” (cliquem aqui para uma viagem no tempo e para perceber do que estou a falar).

Isto, na altura, tinha um efeito sobrenatural em mim – o espírito Buérérético possuía-me e, assim que ouvia estas batidas, não me conseguia conter – lembro-me de, para aí nos meus 8-9 anitos (não quero arriscar dizer que era mais velha porque o acontecimento seguinte vai parecer mal em crianças com mais do que esta idade), a música começar a dar na rádio, um dia enquanto estava com a família à mesa, e eu ter soltado um soberbo, entusiasmado mas descontrolado e desafinado “EEEEH!“, coreografado com um bate-cu na cadeira e braços espetados no ar, que fez os meus pais quase cuspirem o almoço de susto pela minha… espontaneidade.

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Mas adiante…

Decidir o disfarce de carnaval:

O primeiro plano era irmos em grupo, de Spice Girls (quão original), mas éramos só 4. O que não era grave porque podíamos dizer que uma tinha ficado presa no aeroporto:

  •  Eu claramente seria a Sporty Spice (dado o background no desporto);
  •  Duas delas não chegaram a um entendimento entre ser a Badass, a Ginger ou a Baby – a que eu achava que tinha potencial de ser a Baby (que na verdade é uma badass e por isso é que ia ter piada) decidiu ir de Sims – #costumeonbudget;
  • Entretanto a Posh achou boa ideia ir de bigode e bata branca disfarçada de Einstein (teve calor a noite toda e suou, literalmente, do buço);
  • A suposta Badass/Ginger, que não era ginger, nem tinha cor para ser a Badass, juntou-se ao grupo de pessoas que nesta altura se disfarçam de Jane Fonda.

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Tínhamos tudo para sermos uma autêntica girlsband – já estávamos ao pau e à pedra mesmo antes de subir a palco – mas, infelizmente, desistimos antes do 1º single.
Como eu estava virada para as estrelas da música, lembrei-me deste ícone nacional e decidi que ia ser a Ana Malhoa umas 5 horas antes do evento. Ora, e o que é que decisões de última hora implicam?

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Como conseguir o look da Ana Malhoa em 5 passos?

1. Outfit: A Ana Malhoa tem uns outfits muito… específicos (eu não os tenho porque não costumo ir a eventos de Cosplay (ora aí está algo para adicionar à bucket list), nem tenho um guarda-roupa de latex, bodies tigresa, camuflados ou corpetes de plástico)

Mas… tinha umas (uns?) leggings de napa, um top decotado, uns stilettos dourados e uma espécie de renda utilizada outrora num ramo de florista (ou comprado para embrulhar presentes de natal, não me recordo), mesmo a condizer com os sapatos. Ponho aquilo à volta da cintura e serve perfeitamente de corpete. Vestimenta: Check.

2. Cor de pele: A Ana Malhoa é morena (eu sou um balde de cal) – Mas… tinha um auto bronzeador em spay à espera da oportunidade perfeita de ser estreado e que fez maravilhas, embora tenha ficado coberta de uma camada adesiva que parecia aquela cola das fitas de mata-moscas em rolo para pendurar no teto.

Aplicar aquilo na cara é um filme porque, como tens de fechar os olhos, não medes bem a quantidade de tinta que já espetaste na fronha… o que leva a marcas de escorrimento e umas manchas esquisitas. Não vamos falar sobre o cheiro irrespirável que ficou naquele WC, nem do facto da loiça de casa de banho ter passado de branca a laranja. Jet Bronze: Check.

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3. Operação silicone:  A Ana Malhoa tem umas boobs p’raí copa DD (eu não quero falar sobre a minha prateleira em público) – Mas… tinha papel higiénico de sobra em casa, um soutien com enchimento e a coisa ficou mais ou menos disfarçada. Não ficou. Foi um fail, mas o que contava era a intenção. Boob Job (tentativa, vá): Check.

Por falar em boobs, quem se lembra disto?
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#saudades3310

4. Piercings e tatuagens:  A Ana Malhoa tem (ou tinha) piercing no buço, argolas grandes nas orelhas e tatuagens nos braços (eu não tenho nada do mencionado) – Mas… nada que Dani MacSilvaGyver não resolva! Uma lantejoula de manicure colada no beiço e… está o piercing feito; Duas pulseiras com um upgrade daquelas peças dos brincos e… argolas grandes prontas; Um amigo bom a desenho, baton, eye liner e algumas canetas e… tatuagens a matar. Não estavam iguais às dela, estavam melhores. Tattoos: Check.

5. Playlist e lingo: A Ana Malhoa é, e será, “a nº 1 desta liga” (eu jogo na liga dos últimos no que toca a playlist musical da cantora pós Buéréré). – Mas… nada que uma viagem de carro até ao restaurante com Spotify não resolva. As músicas vão entrando, o cérebro vai fritando e a personagem vai-se compondo. Alinhamento para concerto: Check.

Enquanto isto a co-piloto vai perdendo credibilidade na vida porque alguém tira print do que ela esta ouvir no Spotify, para posterior troca de favores ou chantagem – esqueceu-se de colocar o modo privado.

É uma pena não ter registos fotográficos do outfit completo, mas deixo aqui uma amostra do produto final (toda a gente vai saber quem era a Baby que não queria ser Baby e que afinal foi de Sims – mas ela autorizou o reveal). Fiz duck face e tudo, mas só mesmo a interpretação complementa esta caracterização, e…

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…Foi por isso que fiz questão de não deixar margem para dúvidas assim que entrei no restaurante, soltando um, bem alto, “Lá máquina de fiesta chegou!”. E o restaurante paraliza um pouco. O stiletto não colabora com a tijoleira e concentro-me para não fazer ainda mais fraca figura. Mas perdida por cem, perdida por mil e começo a sorrir e a acenar às pessoas. É tudo uma questão de atitude.

Já lá estão os convidados da aniversariante que não me conhecem e que (não percebo como) ainda têm dúvidas de quem sou. Como S. Tomé, eles são de ver para crer e um desafia-me para um concerto, “A tua sorte é que eu treinei antes de vir para aqui!” – penso.

Primeiro sussurro sensualmente “Futssuuraaaa!”, com este “a” final prolongado, como quem tenta embaciar um vidro com um bafo quente, assim só para preparar a malta. E depois solto o clássico ronco vindo do pulmão que fica ali preso na epiglote em vibrato “Nhrrrrrrrr subee, subee lóooo!”, seguido do seguinte profundo poema, num tom esganado para dentro, estilo Cher (desculpa Cher) ou Shakira quando canta o lo-lo-lo-lo-lolé:

Nhrrrr Djio soy latsina de corpo quentse e negro olhar, nhrrrrr sina de quem por mim se apaixonar. Eu sou latsina, de alma quents’e sensual e nhrrrrum negro olhar que é fatsssaaaal” e está o circo montado.

A partir daqui foi sempre a descer. É sessão de autógrafos, porque a minha envolvência na personagem é tanta que até recruto público como fans (mesmo que eles não queiram); É pose para as cameras imaginárias; É pedido especial com sotaque Ana-Malhético: “Vô querer, para beber, um fino tssurbinado e para jantsssar um prego de polvo calientsssé. Sei o que estão a pensar no meio disto tudo…

PREGO DE POLVO?
Sim. É delicioso e podem experimentar no Bira dos Namorados, em Braga.

Mantenho a personagem noite dentro, faço de conta que estou em direto nas insta stories para os meus sssssuper fans e despeço-me do espaço e do staff como uma verdadeira estrela!

Diverti-me imenso e acho que até podia fazer disto vida. Contactem-me para informações sobre cachet.

Isto é material para daqui a uns anos me perguntar porque publiquei isto num blog e me arrepender de o ter feito, não é?

Filhos, netos, sobrinhos ou primos: quando eu já tiver ido desta para melhor e estiverem a ler isto (percebendo o quanto a vossa mãe, avó, tia ou prima era apanhada dos carretos), publiquem uma mensagem de homenagem no facebook. Pela quantidade de pessoas que vejo rezar aos seus entes queridos nos feeds, assumo que terei wi-fi lá em cima (mas havia dúvidas de que iria para o céu?).

Como não vou poder fazer like, vou falar com Ele para me ajudar a mandar uma estrela cadente e saberão que sou eu.


Bira dos namorados: o Giranda (prego de polvo) é delicioso! E não, não me estou a afiambrar discretamente a uma borla com este post. Mas… 😂

Ajuda o pêlo a crescer!

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