Pêlo na Venta experimenta | Cantar Mantras

Yogis de todo o planeta: Têm autorização para me atacarem com todo o amor que o Budismo vos entregou. No pior dos cenários serei acariciada com sussurros meigos e respirações profundas, seguidas de mudrás e mantras curativos.

Antes que me comecem a achincalhar, não levem o meu relato num tom depreciativo. Não se dêem ao trabalho de me maltratar que eu sou apenas ignorante nesta área e não percebo bem a ciência (podemos chamar-lhe ciência?), mas… uma vez que este blog é sobre as minhas experiências, cá fica o relato de como foi cantar Mantras e “invocar” o OM.

Meti-me nisto por acidente. Normalmente escolho a “novidade” que vou experimentar, mas desta vez o universo poupou-me o esforço e colocou à minha disposição um Mestre que me levaria numa viagem de cânticos curativos.

Foi-me vendido que iríamos fazer uma aula de Yoga num pinhal e pareceu-me uma excelente ideia: natureza, exercício, mente, corpo, ar puro, tudo indicadores de uma manhã excecional.

Não sabia era que no final iria cantarolar à mãe natureza um tirolês indiano monocórdico digno de um campeonato de soletração.

giphy.gif

E lá está a turma toda, sentadinha em posição flor de lótus (que é a posição avançada do “sentar à chinês”), como quem tenta enfiar as pernas numa lata de sardinhas, das pequenas, e fazer com elas um nó de escuteiro. Supostamente este asana (que, já agora, se lê àssana e não azána, e que significa postura) ajuda a melhorar a respiração e promove a estabilidade física…

Promove é um embaracilhamento nas pernas, digno de fazer inveja a um conjunto de phones perdidos e soltos na mala de uma senhora. Também não me ajudou muito na respiração já que, para lá chegar, pareci estar em pleno trabalho de parto.

Eu sei… é uma posição avançada e não é algo que se consiga fazer sem treino, mas hey: eu fiz o pino na prancha de SUP e consegui surfar 3 segundos em ambas as primeiras aulas. É claro que eu iria tentar a flor de lótus. Apesar de me ter ficado pelo tentar…

À chinês está bom, afinal. E lá começamos.

“Om Sri Shanaishwaraya Swaha”

What-Excuse-me-Say-what-GIF

Errr…. Não dá para trocar isto por um “abracadabra“?

– Três pessoas sabem o mantra de cor e cantam-no;
– Duas pessoas estão a fazer playback;
– Uma pessoa está ainda a tentar controlar o riso e, pelo canto do olho, eu tento mostrar solidariedade num olhar que transmite “também não faço puto ideia do que estou a dizer”;
– O resto da turma perde-se logo depois do Om Sri e inventa o palavrão central – Om Sri – XanaiaTwainNasciComPésUkelele – Charãaam.

Repetimos aquilo, segundo manda a “ciência”, uma data de vezes e eu só penso que afinal decorar o Credo não era assim tão difícil na catequese.

Eu confesso que até gosto de ouvir Mantras… Mantras acompanhados de música, melodia, estão a ver? Mas eu escuto mantras que estão no Spotify, daqueles que quase dão para dançar ou para embalar. Vou dar-vos um tempinho para lidarem com esta informação…
Daí a proferi-los em grupo, mocordicamente , numa espécie de sessão de AA, no meio da natureza, vai uma grande diferença. Parece que fui à missa depois de fumar umas ganzas e só falo no “Graças a Deus” final, com vontade de me partir a rir.

giphy (1).gif

Depois vem o OM que, por si só, também é um mantra e a letra, por sinal, bem mais simples. Há toda uma técnica para realizar um OM correto para a qual não foi feito nenhum workshop.

Diz-se que o mantra deve ser sempre proferido “em ritmo regular do relógio espacial” – Alguém tem um desses em casa que possa emprestar para a próxima vez? Eu é mais digitais ou analógicos….

[…O som é formado pelo ditongo das vogais a e u, e a nasalização do m no final fecunda o universo, representada pela letra m…]

Ah, afinal isto é tipo uma suruba entre caracteres e o universo! #Kinky

[…Por isso é que, às vezes, aparece grafado como Aum. Estas três letras correspondem, segundo a Maitrí Upanishad, aos três estados de consciência: vigília, sono e sonho. Este Átman é o mantra eterno Om, os seus três sons, a, u e m, são os três primeiros estados de consciência, e estes três estados são os três sons…].

Agora não consegui acompanhar.

5S6O

Desta vez toda a gente sabe a letra, mas há mais malta a rir-se entre os dentes e parecemos o coro do Cabaré para o Convento a tentar afinar. Uns cantam o OM em Fá#, outros em Si, outros em DóM e a coisa fica cómica.

Supostamente deves proferir o som OM enquanto tiveres pulmão disposto a deitar ar cá para fora. Recuperas, e voltas ao mesmo. Ora o que é que acontece? Os pulmões de cada pessoa são como impressões digitais, são únicos: não há naquele grupo ninguém que comece e termine ao mesmo tempo. 

jordin sparks

No entanto, não percebi se foi por simpatia ou se faz parte da coisa, mas toda a gente espera que o silêncio ocupe o seu lugar antes de voltarmos todos a fazer cócegas nas cordas vocais.

Isto não te acalma… só aumenta a sensação de estar a fazer figura de parva e a vontade de cantar a Creep dos Radiohead.

Se este é o som do Universo, digo-vos já que mais parece um arroto cósmico. Estava à espera de uma coisa mais mágica.

Parece que não sou um ser altamente evoluído, mas se alguém me quiser ajudar a tentar perceber como é que isto […estimula o ájña chakra, na região do intercílio, sede de manas, o pensamento, e buddhi, a intuição ou consciência superior…] estejam à vontade.

Agradeço.


Alguém costuma cantar mantras? Proferir o OM? Confesso que estou mesmo curiosa com o resto do mundo. Deixem feedback honesto, vá. Digam o que sentem realmente.

Ajuda o pêlo a crescer!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.