Pêlo na Venta experimenta | Escape Room Challenge

Resumidamente: Num Escape Room sentes-te simultaneamente a vítima e o detetive de um episódio do CSI. Pode ser visto ainda como a versão adulta do quarto escuro: também andas às apalpadelas, só que apalpas objetos e não pessoas… e so está escuro no primeiro minuto.

Esta deve ter sido uma das coisas mais engraçadas que já fiz e que se divide em sensações de frustração e figura de estúpida por partes iguais – o Escape Room… não o jogo do quarto escuro.

Um pequeno à parte por ter falado no quarto escuro: como é que se decidia quem ganhava aquilo? Havia vencedores? Alguém se lembra das regras? Havia regras?

Devo dizer que me meto muitas vezes em aventuras acerca das quais não faço a devida pesquisa prévia. Isto pode correr muito bem e ser muito giro mas, por outro lado, também me pode levar a situações estranhas e chegar o dia em que vou escrever um artigo com o título “Experimentei um hamburger vegetariano e acabei numa orgia”. Quantas views um artigo desses seria capaz de gerar?

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A verdade é que, na grande maioria das vezes, atiro-me de cabeça e lá vou eu numa de… vamos ver o que acontece. Só tenho filtro na seleção da atividade em questão. Foi assim que acabei encarapuçada, algemada e fechada num quarto com três homens e uma mulher – e só para esclarecer, já não estamos a falar do quarto escuro (acho que não metia algemas ao barulho, se a memória não me falha).

Mas voltando ao foco: O Escape Room foi uma iniciativa de team building que fizemos em equipa (esta redundância era desnecessária). Como éramos uma catrefada deles, à chegada fomos separados em duas equipas, uma para cada quarto com o mesmo desafio. Primeira problemática: como agora somos duas equipas, isto já cria aqui um bocadinho de competição porque alguém vai terminar primeiro o que implica que irá haver vencedores e perdedores (e tu não queres ficar na equipa que irá perder).

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O processo de criação de equipas tradicional não é posto em cima da mesa porque vai contra os princípios do team building – vai haver alguém que será o último a ser escolhido – tipo o gajo que sobra e fica na baliza porque é gordo – que neste caso, tendo em conta o desafio a que nos vamos propor, será automaticamente identificado como o mais burro.

Para evitar este tipo de constrangimento as equipas são então escolhidas aleatoriamente numa aplicação. Sabem quando, na escola, havia trabalhos de grupo e assim que o professor escolhia os membros vocês já sabiam quem é que o ia apresentar, quem é que o ia fazer e quem seria o baldas que não faria um chavelho? Pronto. Foi parecido. O grupo começa a olhar à volta, a ver quem lhes calhou na rifa e a fazer contas de cabeça: “Ora portanto, somos 5 mas aquele não entra na estatística por isso somos só quatro. Fulano não é bom a decifrar mensagens e sicrano é uma nódoa com cenas criativas por isso somos só dois. O que sobra não é bom com cenas analíticas, por isso sou só eu.”

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Acho que este exemplo ainda me vai trazer problemas porque agora os envolvidos vão perguntar-me quem seria quem e qual deles seria eu. Bem… Fun game: descubram! Eu não sou dessas que aponta dedos ou arranja desculpas mas… a equipa adversária tinha um elemento a mais.

Equipas feitas, põe-nos um carapuço preto na cabeça, somos todos algemados e acorrentados uns aos outros e proibidos de falar até acabar a sinopse que vamos ouvir já dentro da sala: supostamente fomos todos raptados e fechados na cave de um jornalista que nos planeia dar cabo do coiro mas que entretanto saiu para ir comprar um isqueiro e gasolina (too soon?).

A nossa missão é fugir e não acabar mortos e chamuscados. Depois da gravação audio, que não se ouviu muito bem porque há duas mulheres no grupo (buh, uma mulher a fazer piadas sexistas), lá tiramos os carapuços e vemos aquela que é a nossa área de ação. Há possíveis pistas escondidas por todo lado, cacifos, livros, malas, telefones, secretária com computador e uma panóplia de objetos extra.

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Em caso de emergência estamos autorizados a pedir um número limitado de ajudas ao Jigsaw lá do sítio – o dono do estaminé que está a ver tudo fora da sala através de câmeras e que pode comunicar connosco através de mensagens no tal computador que está na sala. Mas quem é que precisa de pistas comigo na equipa [cof, cof].

Não posso descrever com todos os detalhes a prova que fizemos pois assim nos foi pedido. Mesmo que os desafios possam ir variando, na eventualidade de alguém que vá experimentar ter lido este artigo e lhe calhar o mesmo desafio, vai perder a piada se eu me chibar toda. No entanto, estou disponível para negociar o meu silêncio em troca de Sushi ou outras cenas à borla do meu interesse.

Assim, vou destacar apenas alguns dos momentos mais marcantes, começando pela nossa estratégia de abordagem à situação: “Malta, temos de ganhar aos outros!”

Focadíssimos portanto na solução do 1º problema que é descobrir o código do aloquete que enlaça as correntes das algemas uns nos outros. Um raio de um aloquete simples mas que, em 5 minutos de jogo, já nos queimou uma ajuda, sendo que essa ajuda esteve escarrapachada no computador o tempo todo. O Jigsaw só a pôs a piscar.

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Lá nos conseguimos soltar uns dos outros, excepto um par que, como eram os únicos algemados diretamente um ao outro, achamos que é suposto ficarem assim o jogo todo, tipo os gajos do programa Acorrentados da SIC. Descobrimos no fim que a chave dessas algemas esteve sempre à nossa frente mas, apesar de termos tentado enfiá-la em todas as ranhuras, não consideramos as algemas porque… isso seria demasiado óbvio.

Já estamos a ficar peritos em ligar o complicómetro (porque aquilo é suposto ser difícil), o tempo vai passando, e já começamos a descambar enquanto equipa: O mais calmo do grupo já está a ficar stressado, o stressado está a tentar controlar o stress e manter-se calmo, o coach da equipa já não tem discurso motivacional e o que está à espera que os outros trabalhem é o que diz já ter percebido tudo.

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Vamos avançando nas pistas, o cronómetro não perdoa e uns quarenta e tal minutos depois: Cálculos. Há cálculos e… f#deu. Eu salto já fora porque contas não é comigo e fico a apreciar o Einstein, Newton, Descartes e a encarnação do meu professor de Biomecânica da faculdade numa troca de teorias. Nisto, ouvimos a outra equipa a festejar porque já conseguiram escapar e a nossa moral cai que nem Wall Street em 1929.

Desistimos do Teorema de Pitágoras e passamos aos aloquetes que é mais a nossa cena – desde que não seja precisa uma chave, vamos safar-nos bem – no entanto, as pistas tem de ser seguidas numa determinada ordem para conseguirmos passar às seguintes. Mas nós ainda não sabemos disso e rapidamente mudamos a estratégia: “Ok malta, cada um por si.”

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Por estranho que pareça a coisa até se está a compor. Um deles descobre uma pista importantíssima que nos deixa a todos de queixo no chão! Outro descobre uma cassete e um leitor de cassetes. Entretanto outro percebe que existe um padrão nas pistas, o que nos deixa sem dúvidas de que a cassete (ou o leitor, um deles poderia ser apenas para nos confundir e é claro que já não existem leitores de cassetes a funcionar) deverá ter o código para abrir um último aloquete que nos falta, daqueles em círculo, como aquele do cofre no filme O Turista.

Escarafunchamos a cassete e o leitor à procura de códigos que tentamos inserir em 1001 combinações sem sucesso, até que alguém tem a ideia de testar se o leitor funciona…

Funciona. 😑

A cassete tem uma espécie de tutorial audio e, para encontrar o código, parece que temos de resolver uma charada… Toda a gente adora charadas. E começam novamente as teorias mas agora na versão filósofos a discutir dogmas e retóricas: “Passa para trás outra vez!”; “Não pode ser A porque ele falou em B!”; “Vamos contar palavras em cada frase.” Até que alguém, muito calmamente, sugere: “OUVE ESSA MERD@ ATÉ AO FIM, CARALH#!”

E passado alguns segundos após o blá blá de introdução, o código está ali, de mão beijada: Rode 3 para direita, 5 para esquerda, meia volta para trás, duas voltas e meia para a frente, rode metade do valor d….. e: p-u-t-@-q-u-e-p-a-r-i-u. Cai o gravador ao chão que agora está partido… E não funciona.

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Depois de um “Fooood@-se!” em uníssono, passamos de vítimas a criminosos, a tentar esconder as provas do incidente para não se perceber que estragamos aquilo (e estamos tão embrenhados neste filme que nem nos lembramos que o Jigsaw está a ver tudo em direto). Tic-tac, tic-tac e o tempo acaba e nós não conseguimos escapar.

Losers. O Jigsaw anuncia então que falecemos. Para saírmos do nosso próprio funeral, lança uma última missão: “Dêem 3 saltos bem alto e gritem HELP”.

É claro que obedecemos apesar de acharmos estúpido e um bocado má onda da parte do Jigsaw estar a gozar com os mortos.

Quando saímos, percebemos finalmente que a equipa adversária esteve a assistir a toda esta humilhação pública pelos monitores e que no final o Jigsaw os autorizou a achincalhar os nossos egos com esta última mensagem. E nós… otários… caímos.

Foi divertido? Foi.
Fizemos figura de parvos? Certezamente.
Valeu a pena? Se valeu!


Fizemos isto no Escape Challenge Porto mas sei que há muitas opções por esse Portugal fora. Experimentem, é giro! 😉

Ajuda o pêlo a crescer!

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