Pêlo na Venta experimenta | Golfe

Fui experimentar Golfe e, como é de prever, juntam-se as palavras “tacos” e “bolas” e temos terreno fértil para piadolas, daqui até à CGD (ia dizer Lua, mas lá há menos buracos). Por isso, antes de começar com a descrição desta última experiência, vamos arrumar já este assunto:

Antes:
– Então, vais bater umas?
– Vê lá se não partes o taco!
– Até vais ficar com calos de tanto bater bolas…

Durante:
–  As tuas bolas ficam todas à porta.
– Acho que este taco é pequeno para mim. Não tem um maior?
– Abraça-o com as duas mãos, uma mão encaixa na outra.

Depois:
– Tu até bateste bem!
– Bato melhor com a direita.
– Ainda conseguiste meter algumas…

Já chega? É. Se calhar já está bom…

Estive no Clube Golfe de Braga para um primeiro contacto com este mundo, que basicamente consiste em enfiar bolas em buracos, e descobri finalmente por que razão é considerado um desporto.

É verdade que aquilo até cansa… depois da 23º tacada começas a suar, principalmente se não fizeres ideia do que estás a fazer, num descampado debaixo de sol, com calças cardadas porque alguém não viu a meteorologia e não levou um daqueles tradicionais trajes à golfista feminina.

Confesso que as minhas  expetativas ficaram aquém. Já me estava a imaginar, com um instrutor simpático, cheio de saúde, que prestavelmente se colocaria atrás de mim e envolveria os meus flancos num abraço delicado, enquanto me sussurrava aos ouvidos num timbre grave e ligeiramente rouco, os passos para uma execução técnica perfeita do ato de bater umas bolas.

Nada disto aconteceu. Começamos bem – era de facto simpático – mas saltamos diretamente para a parte de bater bolas sem estabelecer a sinergia erótica que eu esperava.

Descobri também que há tacos para homens e tacos para mulheres. Os das mulheres são mais pequenos, podem ser mais leves e podem até ter pontas diferentes. Contudo, segundo esta fonte altamente fiável que encontrei com a pesquisa no google “porque são diferentes os tacos de golfe para mulheres?”, há uma explicação:

Como acontece na maioria dos desportos, o facto de as mulheres serem, em média, mais leves e pequenas que os homens, possuindo ombros menos largos e menor força física, influi na forma como o golfe é praticado.

A Brienne de Tarth diz que isto é estúpido. Mas o artigo lá acrescenta depois um disclaimer.

 

Descobri também que sou uma nódoa a coordenar pontaria com partes do corpo em movimento mas, por outro lado, percebi que tenho um enorme potencial para sacudir pó de carpetes, ou para cortar relva à chapada, ou à tacada. A pente zero, pronto.

Stage I: Depois de 16 tacadas no éter, lá consegui acertar no revaldo. #neverstopdreaming

Stage II: Depois de 35 tacadas no relvado, lá consegui acertar na bola e bola conseguiu acertar no cedro que estava a 5 metros. #divideandconquer

Stage III: Depois de dois cestos de bolas gastos, lá consegui acertar na bola e atirá-la para qualquer sítio no ar. Podem desfrutar de captação de imagens locais destes momentos aqui.

Lá no meio há uma mãe suicida que decide entrar pelo campo dentro para apanhar bolas. Mania das arrumações. Por pouco não lhe abri a cabeça.

Ao ver os dotes desta jovem com mais jeito para mandar bolas para o país de Gales que o Beckham, o Sr. Instrutor Só Simpático ofereceu-se para uma demonstração. Quando eu estou a começar a achar que vamos fazer uma dança de acasalamento, ele decide que o meu brilho o está a estorvar e executa o lançamento sozinho. Não sem antes me perguntar presunçosamente “Onde queres que a meta?”.

Ooora bem…

Regozijei-me ao vê-lo falhar o alvo que indiquei mas, tendo em conta que foi apenas por meio metro, decidi aceitar a humilhação pública.

Passamos depois ao jogo dos buracos – o meu favorito. Joguei em dupla e o objetivo era colocar a bola em 10 buracos diferentes no menor número possível de tacadas. Os buracos eram 10 e eu ganhei com 33 tacadas. Façam as contas e tentem perceber se eu fui muito boa ou se o meu adversário era míope.

Certo é que esta parte foi bem mais divertida e, para mim, melhor que jogar à malha. Só faltou ganhar o galo.

Se tiverem um espaço lá no quintal de casa, invistam numa relva sintética, façam-lhe uns buracos e terão uma tarde bem passada. Não a fazer os buracos. É para depois jogarem com os amigos. Tenho de explicar tudo?

Resumindo, baralhando e metendo as bolas ao bolso, foi uma tarde bem passada e recomendo a experiência. Só não vão sozinhos, levem alguém com menos jeito que é mais divertido.


 

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