Pêlo na Venta experimenta | Passagem de ano em Londres

Existem pessoas que sonham com uma passagem de ano em Times Square, existem os que sonham com um beijo apaixonado ao som das badaladas debaixo da Torre Eiffel  e depois existo eu, que sonho com os dois, mas o melhor que consegui até agora foi passar o Revéillon em Londres, quase a morrer abafadinha. Vê o vídeo aqui.

Abafadinha não por um beijo sufocante, mas pelo número exuberante de pessoas à minha volta e pelo cheiro intenso a erva, que mais parece que estás numa ETAR de Marijuana – uma ETER, portanto.

Espera lá… ETER… Éter…  a tal quinta-essência do cosmo… agora tudo faz sentido.

mind_blow

Ora estava eu em Bath, no Reino Unido com a minha Beautiful Russian Girl e o meu Dandy French Guy… e pensamos todos: Já que cá estamos, porque não irmos a Londres, passar uma noite mágica.

I’m super in! Não foi tão mágica quanto imaginei, no entanto.

1. gestão de budget

O Reino Unido é caro. Muito caro no que toca a bebidas alcoólicas. Uma simples cidra pode custar, num bar comum e numa noite normal, umas redondas 7 libras (praticamente 8€). Portanto, comprar álcool num bar numa das noites mais inflacionadas do ano, não será a melhor estratégia.

Decidimos comprar as nossas bebidas nun Sainsbury’s londrino e optar pelo espumante mais barato para beber a temperatura amena como manda… nenhuma lei.

Depois de comprados bilhetes de autocarro de ida e volta, bebidas, petiscos e droga, (estou a brincar… não compramos petiscos), sobraram uns trocos ainda para uvas passas e bolachas de água e sal.

Banquete: 0 – Nível de pobreza: 20

expensive_booze

2. Gestão populacional

Viajamos cerca de 3 horas de autocarro e chegamos às 20h e qualquer coisa. Cedo, não? Não. No ano em que estive lá ainda não se pagava para ver o fogo. Como tal, haviam milhares de pessoas que já lá estavam a marcar lugar. Ora facilmente se percebe porque motivo no ano seguinte se começaram a cobrar bilhetes para determinadas áreas.

É malta deitada no chão, outros com banquinhos, outros tantos em pé, famílias inteiras com mantas de picnic (portugueses na sua maioria), verdadeiros acampamentos improvisados… Enfim, um ambiente em que para tentares chegar o mais perto possível do rio davas por ti a jogar Minesweeper – não fazes ideia onde pôr os pés a seguir.

minesweeper

Tentar furar aquela multidão, é como tentar ir dos Aliados à Ribeira em plena noite de são João: Não andas, levitas rua abaixo arrastado pela corrente de pessoas, enquanto sentes apalpões em tudo o que está para baixo do nível do pescoço.

Lá conseguimos, depois de muito esforço, ficar junto ao rio, do lado norte do Tâmisa, mesmo de frente para o London Eye, mas… Se desses ali um peido, nem o cheiravas porque ele não tinha opção se não subir qual balão Joanino, em vez de se misturar com a plebe.

Magia: 0 – Dedos no cu: 54

crowd

 

2. Frio húmido de inverno que deixa os ossos com dores

Por muita roupa quentinha que vistas, a sensação térmica em Londres em pleno inverno, depois de 4 horas em pé no mesmo sítio junto ao rio, é semelhante ao que sente aquela malta em Portugal depois de ter dado o 1º mergulho do ano no atlântico em pelota.

Pensei que num ambiente com tanta gente íamos ficar tipo pinguins da Antártida, juntinhos e quentinhos, mas não. Eu bem que me enchumacei de roupa, vesti dois pares de meias, 4 camadas de camisolas e um Kispo à SnowBorder, enfiei um gorro na cabeça, luvas de esquimó nas mãos e… mesmo assim rapei um frio do caraças.

Sexyness: 0 – Frio: 1.

cold
3.  Esperar pela meia-noite

Ponto número 1: Não sei como consegui ficar mais de 6 horas sem ter vontade de fazer xixi. Acho que este foi o verdadeiro milagre de passagem de ano.

Ponto número 2: Não sei como consegui ficar mais de 3 horas rodeada de gente a fumar erva sem apanhar moca à cão. Ou será que apanhei… não me lembro.

Ponto número 3: Não sei como consegui ficar mais de 3 horas sem ouvir praticamente um nativo. Quer dizer… até sei. Os ingleses são inteligentes e estão todos em casa no sofá, quentinhos junto à lareira, a ver aquele bando de flamingos (que somos nós, todos corados do frio e de pescoço arrebitado a olhar em todas as direções à procura de algo para entreter a vista porque a paisagem é a mesma há horas) através da BBC.

Ingleses: 1 – Turistas quentinhos: 0

flamingo_looking arrond

4. Espetáculo de fogo.

Na altura o relógio do Big Ben ainda tinha pio. O fogo da roda gigante foi lindo. São 10 minutos contados. Gostei. Mas… Já repararam que o fogo de artifício é igual em todo o lado? Só muda o Monumento!

  1. Clássica cascata – uma espécie de cortina mágica em movimento que tem a capacidade de colocar mais smartphones em uso que um concerto dos Coldplay;
  2. Growers ou Showers – aqueles que começam num conjunto de pontinhos pequeninos mas que depois fazem zoom. Também é o tipo de fogo tipo pitas todas produzidas na noite: Servem para encher a vista, mas no dia a seguir nem quer saber…;
  3. Cometas Jackson Pollock  – disparam para todo lado criando uma tela de rabiscos no céu. São lindos;
  4. Red Carpet – aqueles que parecem uma data de paparazzis a disparar flashes, cegam-te um bocado a vista.
  5. Chorões – que, além de parecerem lágrimas no céu, é o que põe as pessoas a chorar;
  6. Espermatozóide brilhante – aqueles que deixam um rastozinho curto de luz e depois se explodem em mil pontinhos;
  7. Espermatozóide suicida – Semelhantes aos anteriores mas estes são mais malucos, assobiam na partida e explodem sempre em direções aleatórias;
  8.  Bombardeamento – aquele refustedo de luz e barulho que parece que estamos em plena guerra ou dentro de uma tempestade de trovoada a ser eletrocutados e que nos rebenta os tímpanos, mas que todos adoramos.
  9. Tiro de caçadeira ou pinocadas de primeiros encontros: são 3 seguidas, são curtas, são barulhentas e deixam claro que já não há mais nada a seguir.

Também fizeram uma coisa buéda inovadora que é: Fogo sincronizado com música. É…. isso não existe. É mito. É só fogo acompanhado de música. O sincronizado não chegou a tempo. Loles.

É bonito ver o fogo em Londres? É. Mas convenhamos que o fogo é igual em todo o lado… Só muda o cenário. No entanto, venderam-me que, do outro lado do Tâmisa, o fogo era perfumado. Não se preocupem… do nosso lado também era.

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5. Apocalipse e o mistério dos WC avariados

Em primeiro lugar, mal acaba o fogo, e depois daquele hype todo, o que seria de esperar? Um Dj qualquer a passar umas músicas, certo? Errado. As pessoas parecem baratas tontas a desaparecerem num rasto de lixo que deixam para trás e música ambiente só mesmo os grunhidos de gente bêbada e gritos histéricos das jovens que depois de um brinde já estão todas por conta delas.

Andamos milhas à procura de um WC num dos bares mas, estranhamente, estão todos “out of service”.

No metro, a paisagem fica ainda melhor. As jovens que vimos quando chegamos altamente produzidas como se fossem para os globos de ouros transformaram-se agora em zombies.É vê-las a chegar tipo modelos da Victoria Secret e vê-las a irem embora como se estivessem no Walking Dead.

wasted_new_year

Foi a primeira vez que fiz algo semelhante a couchsurfing, mas não ficamos bem num sofá. Era uma garagem de uma pessoa que pelos vistos conhecia outra pessoa que conhecia a nossa jovem da Rússia.

Dormir, era o dormias, porque a garagem era gelada e conforto nem vê-lo. Dormimos lá num canto qualquer, como pudemos.

O pior disto tudo foi fazer a walk of shame de madrugada para apanhar o autocarro para Bath, como ar de quem teve a noite de sexo mais selvagem da vida, quando não houve sequer um roça-roça.


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