Pêlo na Venta desabafa | “Perdi um dente”

Quando acharem que a vossa vida é uma bosta, lembrem-se que perder uma coroa dentária em pleno dia de trabalho, no momento em todos os colegas estão na pausa, enquanto das um chinca numa sandes de pão de forma é f#did# para c@r@lh# e… aconteceu-me.

Antes de começar, todo o meu processo de recauchutamento dentário foi amaldiçoado.

Depois de finalmente tirar o aparelho e ter a direção alinhada, pensas que agora só faltam aqueles últimos trabalhos para a vida te sorrir mais (#punintended): Uma limpeza básica, um branqueamento e vamos aqui tratar de fazer um Pimp My Ride neste dente que mais parece um Renault 5 de 1980.

Para tal, vamos só retirar a carroçaria, que é como quem diz devastar o dente deficiente. Ficas só com um cotinho (uma espécie de palito gengival flutuante) para depois inserir o carro de substituição (ainda não sei bem porque estou a utilizar metáforas automobilísticas).

Colocam-te a coroa provisória com uma cola rasca que vai ficar por uns dias, enquanto o molde vai para o mecânico, ou laboratório (pronto acabou-se a brincadeira dos carros). E foi aqui que as coisas começaram a correr mal.

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O meu Maserati dentário (não resisto) era suposto ter chegado 3 dias depois. E de facto chegou. Mas a assistente da dentista, ao retirá-la da caixinha deixou-a cair e ela partiu-se. Tal e qual aqueles vídeos de fails em que esparramas o bolo de aniversário no chão antes de acabares sequer de cantar os parabéns. 😑

A consulta fica adiada mas eu lá vou fazendo a minha vida: Dá-se-me uma vontade de trincar algo e preparo uma bela duma sandocha com manteiga (podia dizer sandes, mas depois ia dar debate se é sande ou sandes) – e foi então que um simples naco de pão fofo com manteiga mudou o meu dia.

F###CK! 🤬

…Seguido de um ataque de asma e da maior expressão de pânico (ai paniquei bem) que alguma vez possam ter imaginado sentir. E as pessoas perguntam: “- O que foi? Trincaste a língua?” (Oh, o quanto tu desejas ter antes linchado a língua) e sais disparada para o WC para avaliar os danos. São irreversíveis.

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Enquanto te olhas ao espelho e avalias o estado do piano só tens vontade de chorar. Mas até o teu cérebro te trai e começas a rir-te de ti própria. Mas choras, porque tens vergonha. E ris-te porque a tua cara agora tem piada. E ficas confusa porque na verdade não sabes o que sentir. Lá ganhas coragem para sair do wc e enfrentar uma sessão de Q&A.

“- O que aconteceu afinal, partiste um dente?” – Huh-huh. (que é um não-não de lábios cerrados) “- Caiu-te um dente?” – Hum-hum. (que é um sim-sim de lábios cerrados). Bingo! E sorris, ao mesmo tempo que te imaginas num anúncio de pasta dentífrica (com o plim e a estrelinha a brilhar e tudo, mesmo nos da frente) e, pela ironia disso, partes-te a rir. Fechas a gruta porque já está toda a gente a gozar com a tua figura e choras. E ris. E choras.

Voltas a ti, ficas furiosa com a dentista pelo trabalho de 3ª. Ligas para o consultório e explicas a situação ao que a assistente responde: “A Doutora está para Barcelos, não sei se vai conseguir resolver ainda hoje”. 😑

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Aaaai isso é que vai, nem que a consulta seja às 11h00 da noite! Lá me recebem e a Doutora até tem companhia – outra Doutora, uma do laboratório. Isto aumenta logo os teus níveis de confiança: boa, uma segunda opinião… só que não… porque agora estão as duas: Tira aqui mais um bocadinho, agora dali… e tu pensas que se calhar ela nunca fez isto, mas não te disse que és a cobaia. Rezas também para que ela não faça ao teu piqueno restante coto como o diabo fez à coisa (se não conheces esta expressão, não sabes nada desta vida).

Compõem o que resta do veiculo de substituição (porque a coroa definitiva ainda não está pronta) e vens com aquilo meio aldrabado, andando na rua com aquela insegurança de quem comprou roupa de altas grifes só que falsificadas no chinês.

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Passas os seguintes dias com medo de comer, lavar os dentes, dormir e tudo o que implique meter coisas na boca (não comecem com badalhoquices que isto foi sério) com medo de passar pela vergonha uma outra vez.

O fim da história:  Lá acaba por chegar o dia da consulta e o Maserati por ser aplicado. Mas parece um dente de cavalo (um Ferrari, portanto). A doutora estuca de um lado, lixa do outro, observa a arte de longe, como quem está a tentar perceber se um desenho ficou alinhado em perspetiva com o ponto de fuga, e a coisa lá fica mais ou menos decente, enquanto só pensas que o Renault 5 se calhar não estava assim tão mau e não tinhas precisado de passar por este trauma.

Caso a dentista venha a ler isto, gostava que soubesse que à conta de todo este processo, sou uma pessoa traumatizada, que inveja todos os seres humanos capazes de morder uma maçã como um cavalo, pois eu tenho de as comer como uma vaca medrosa (não merdosa) – ruminando os 20 micro-pedaços que me levam 20 minutos a partir, antes de os mastigar de ladeiro.

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Por respeito, não indico a clínica (pois é minha conhecida) e aproveito para informar que me senti indignada com o tratamento que me deram. Tudo bem que me fez preço de amigo mas acabou por me sair caro. À conta disto a minha goteira de contenção deixou de me servir, foi um filme para me enviarem uma nova que se extraviou pelo correio e ainda paguei a consulta para ir buscar uma terceira, quando me deviam era ter pago uma indemnização por danos e traumas mentais e mais um extra para hoje não estar a abrir a boca (desdentada).

Já agora, foi por isto que nunca mais aí voltei – in case you’re wondering.

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Desta vez não há agradecimentos, a não ser a todos os que me apoiaram neste dia traumático e ainda hoje me recordam da minha triste/engraçada figura.

 

 

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