Pêlo na Venta experimenta | Säntispark  – Parque aquático

Na verdade, este é o único que alguma vez experimentei mas o artigo merecia um título sensacionalista. Trago-vos o relato da minha visita a um parque aquático fechado, com música e luzinhas psicadélicas a acompanhar – provavelmente a experiência mais próxima de mamar LSD que alguma vez vou ter. 

Ora portantos… vamos saltar a parte em que entrei em choque com o meu reflexo no espelho,  quando me vi em bikini pela primeira vez este ano, e vamos apenas ter em conta que tem sido um inverno longo e difícil. The Winter is leaving and the life is hard and full of fatty foods. Posto isto…

Acontece que fui conhecer um pequeníssimo pedaço da Suíça e, como se já não bastasse a humidade dos Alpes, fui a um parque aquático fazer uma espécie de lavagem automática com lixívia. O cloro é ótimo para amaciar cutículas e limpar o cotão do umbigo. #nojo #maséverdade

Säntispark está munido com várias atrações: spa, sauna, piscina de ondas, piscina exterior aquecida (uns 40º, que mimo) e… um parque aquático para malucos. Não se dêem ao trabalho de clicar no link se não entenderem alemão – os Suíços têm níveis de auto-confiança perturbadores e estão-se a cagar para a turistada – não há outro idioma disponível por isso, ou se safam intuitivamente ou usam a tradução manhosa do google.

Como é obvio, é sobre este parque psicadélico (que quase supera qualquer festa transe) que se foca este artigo [e a palavra foca foi deliberadamente escolhida aqui porque te sentes como uma].

São oito os escorregas do demónio que vos vão fazer: 1- pensar na vossa vida; 2- medir níveis de testosterona; 3-beber um cocktail de cloro e xixi; 4- querer repetir tudo uma e outra vez.

Cá fora, em todo o espaço de acesso aos escorregas, há LEDs coloridos que piscam freneticamente e vos deixam atordoados, como se já não bastassem as curvas acentuadas e os amontoados de água inesperados ao longo das descidas. A acompanhar – porque ainda não estamos atrofiados do cérebro o suficiente – há música “relaxante” para dar ambiente, tipo esta que tem um vídeoclip a roçar no porno (e que não recomendo ouvirem ou vão ficar com este vírus na cabeça o resto do dia, mas que ainda assim deixo o link para os os mais traquinas).

Para os mais curiosos e, quiçá, interessados em visitar, aqui fica o meu singelo review sobre cada um dos escorregas, ordenados por nível de caganço:

1. Wildwasserfluss – Wild Canyon

O escorrega mais meiguinho. Vamos considerar este escorrega como o estágio da aventura. Sei que o facto de ter ali um “wild” na descrição dá toda uma perigosidade à coisa mas, na verdade, este escorrega é para crianças e os miúdos ficam a olhar para ti com cara de what the f#ck quando entras nele.  É uma descida suave e após a primeira vez há uma subida de taxa de basófia e já te armas aos cágados: vais de costas, de cabeça, de joelhos e como a tua criatividade/ flexibilidade permitir.

Neste escorrega não há controlo para entrar, a modos que é tudo a monte e fé em Deus. Lá pelo meio vais de encontrão a uns três ou quatro piquenos, tipo carrinhos de choque, e quase partes as ancas. Fiquei pisada. Quando chegas ao fim, dependendo da sorte, podes aterrar em cima do desgraçado que acabou de chegar mas que ainda está à procura da tona da água para sair dali. Neste caso, foi a minha amiga que levou comigo, de cú em cima dela.

Em algumas zonas específicas existem uns lagos com correntes diferentes onde a criançada fica parada e se diverte a distribuir high-fives quando passas por eles (acredito que também parem ali tipo estação de serviço, para um xixi rápido).

 

2. Wildbach – Ein wilder Ritt

Mais um que tem ali “wild” para manter o nível de selvejaria mas agora para mais crescidos. É o segundo mais longo dos novos slides do Säntispark, com 155 metros. É giro mas não afugenta pássaros. Neste caso, focas.

 

3. Eiskanal Reifenrutsche

Introdução ao quarto escuro – parte 1. Faz-se bem, mas tem uma zona de completo blackout que te faz apertar o rabinho porque perdes completamente a noção de onde estás e do que vai acontecer a seguir. A parte gira é que podem ir 3 de uma vez numa bóia tripla. São 180m de tubo mas, se fizeres em grupo, é para meninos.

 

4. Super-G – Wer bremst verliert

Que traduzido quer dizer basicamente: Super-G – O mais lento f#de-se!

Na verdade, este conta por dois já que se trata de um percurso duplo de 123 metros cada, cronometrado. Desce-se de bóia (podem ir em duplas também) e quem chegar primeiro ao fim não ganha nada mas fica com o ego inchado. Quem chegar por último leva com uma rega de água gelada na tromba… e nas costas… e nas pernas.. basicamente f#de-se. Só fiz de um dos lados, já que do outro apenas mudava a direção das curvas.

Não me recordo de muitos detalhes sobre a descida mas lembro-me bem de que a água estava gelada para caralh#. Sim, perdi… Mas só porque a minha bóia ganhou vácuo no ponto de partida, o que me atrasou no take-off.

 

5. Sternenrausch – Ab ins Dunkle

Introdução ao quarto escuro – parte 2. Isto traduzido quer dizer algo parecido com: Estrelado – direto para a escuridão. Diz que é uma experiência divertida para jovens e idosos (ahahah… deixem-me só recuperar desta afirmação). Idosos?? Eu quase me borrei por isso gostava de ver um idoso a deslizar neste. Na verdade não gostava porque não podes entrar de fralda. #siéquemintendes

O escorrega tem uma diferença de altura de 18 metros entre o início e o fim. Basicamente é uma descida de cerca de 7 andares num tubo com um diâmetro estreito, onde não cabes sentado e por isso não podes ir de bóia. As curvas são acentuadas e, tendo em conta a altura da descida, ganhas mais velocidade que um sabonete molhado a fugir-te das mãos.

Não se iludam com as “estrelinhas” – é um buraco negro imprevisível. Não recomendo para claustrofóbicos. Este foi o meu segundo tubo e foi muito agressivo. Se o Wild Canyon foi como andar num cavalinho daqueles que sobem e descem nos carrosséis das feiras populares, este tubo foi uma viagem numa montanha russa misturada com casa do terror. Gritei muito e não gostei. Paniquei um bocadinho. Taxa de basófia estabilizada.

 

6. Säntis-Pipe – Zeig deinen 360°

A tradução fala num 360º porque há uma zona que se assemelha a um halfpipe: sobes de frente e a ideia é que na descida a bóia rode numa volta completa para entrares no tubo novamente de frente. Boa sorte com isso. Aquilo é tão rápido que a tendência é entrar de costas e… voltar de costas é obra do demo.

Mais: Se eu tivesse que dar um nome a este escorrega seria “O cortador de fiambre” ou “O tira-cueca”. Porquê, perguntam vocês? Eu respondo: Na zona mais baixa do dito halfpipe há uns… vamos chamar-lhes reguladores de tração. É uma zona áspera onde ao subir, não levando uma bóia protetora de regueifa (são umas bóias em que o buraco está forrado e não vais con el culo à vista), o vosso rabo vai parecer um naco de fiambre a ser cortado às fatias e, na descida, se entrarem de costas ficam sem cuecas.

Como é que eu sei isto, perguntam vocês? Prefiro não responder desta vez. Valha-nos o ângulo de 45º feito pelos joelhos em cima da bóia para não perder a parte de baixo do bikini durante a viagem.

A parte mais porreira é logo no início onde chegam a uma zona em que não é possível ver a descida e… surprise módafócas: mini queda-livre. Sabem aquela sensação quando vão a conduzir a uma velocidade considerável e há um inclinação súbita ao para baixo? Aquele friozinho na barriga? Sentem o mesmo… só que depois ficam sem cuecas.

 

 

7. Wirbelwind – Achtung Sturmwarnung

É o Turbilhão e a tradução fala numa “tempestade”. Eu não o chamaria assim. Chamaria “Sanita com descarga”. Para mim é a experiência mais próxima de sentires o que uma poia de cocó sente.

Tem umas zonas de tubo transparente onde: tu podes apreciar a vista para fora; os outros podem ter um vislumbre do teu nadegal. Só depois percebi que haviam as tais bóias específicas para regueifas mais tímidas.

O escorrega nuuuunca mais acaba e, embora o vídeo não mostre grande coisa, a descida faz-te lembrar uma viagem na Carrinha Mágica a um intestino grosso. No fim, há uma tigela que faz lembrar o vaso da sanita onde andas em rodopio até seres sugado para um esgoto em queda-livre.

Foi-me altamente recomendado que não entrasse neste buraco de costas e como foram tão efusivos com o “aconteça o que acontecer, não entres de costas” eu esforcei-me muito para não o fazer. No entanto, aquilo está feito para que as correntes, a dada altura, vos vire ao contrário e entrem encarpados de costas pela retrete abaixo.

Eu abri as pernas em V, finquei os pés onde podia, empurrei com os braços onde consegui empurrar e consegui entrar de frente. No entanto, depois apercebi-me que, de uma das varandas lá em cima, toda a gente conseguiu assistir ao meu Can-Can muito pouco gracioso.

 

 

8. Sturzflug – Der pure Adrenalinkick

Que é como quem diz: Mergulho de pura adrenalina. Oh Ana Malhoa, tu não és pura adrenalina coisíssima nenhuma. Experimenta escorregares aqui e depois falamos.

Este escorrega foi a cereja no topo do bolo. Antes de ir eu, vi um senhor ir por lá abaixo (vi não, ouvi que ele deu um guincho digno de uma matança de porco) e precisei respirar fundo algumas vezes mas lá ganhei coragem. Durante o processo de mentalização pensava: “Não podes ser assim tão cagona! Para quem quer saltar de para-quedas e fazer bungee jumping, isto é para putos. Os que estão a descer também estão a chegar vivos ao outro lado, portanto, com certeza não vais morrer e… no pior dos cenários, só te afogas… Vá, não penses muito e entra nessa merda!” 

Entrei na cápsula e #deusnocomando. Houve-se uma contagem decrescente para te preparares mentalmente (não resultou) e do nada, perdes literalmente o chão e cais cano abaixo a uma velocidade que te leva os pulmões à garganta. Me-do… mas foi tão fixe que repeti.

É uma queda livre curta, mas de tirar o fôlego, onde precisas de mais coragem para entrar na cápsula do que para chamar um Uber para te vir buscar a qualquer praça de Taxis.

 

Eu não sabia quantos metros tem a descida mas fui estudar um pouco de física só para vos dar informações fiáveis (q.b.) e terminar este artigo com algo útil.

Para calcular o movimento de queda livre, precisamos de, basicamente, duas equações: uma para a velocidade (v=g.t) e outra para a distância (d=(g.t²)/2).

Portanto: no vídeo a duração da queda (t) é mais ou menos 2.5 segundos e, segundo o que pesquisei, em física atribui-se um valor constante para g que é 9,8 m/s².  Ora, pegando na 1ª fórmula, temos então: v = 9,8 x 2,5 (=)  25,5m/s

Já temos valores para tempo (2.5s) e para velocidade (25,5m/s). Vamos calcular a distância com  2ª fórmula: d=(g.t²)/2 ou seja: d = (9,8 x 2.5²)/2 (=) 30.6m. WTF? Mais de 30 metros!?

F#DA-SE! Se soubesse isto lá, não tinha repetido. Engenheiros, matemáticos, atro-físicos: fiz mal as contas?

Que experiência brutal. Tendo em conta os preço exorbitantes de tudo e mais alguma coisa neste país, isto até não foi caro. Pagamos por duas horas 29 CHF cada um. E duas horas é mais que suficiente, acreditem. Aquilo cansa.


 

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