Pêlo na Venta experimenta | Stand Up Comedy

Há uma primeira vez para tudo e esta virgem (na comédia) foi sacrificada no altar onde, em vez de um cálice, havia um microfone. O público até gostou – ou fingiu bem – riu-se e aplaudiu. Armei-me em comediante e até foi uma experiência cómica. #punintended

Nunca tinha feito comédia ao vivo. Tão pouco tal possibilidade me tinha passado pela cabeça. Mas, farta de ouvir as amigas dizerem-me “tens de criar um canal de youtube”, “tens de fazer vídeos”, “és tão engraçada” – e outras merdas que nos dizem só para nos encorajar a dar espetáculo no café de borla e fazerem de nós o bobo da corte – lá decidi tentar dar um passo para fora do blog.

Como começar a fazer Stand Up Comedy em apenas 3 passos?

  1.  Adicione no Facebook um estranho que já faça Stand Up Comedy;
  2. Envie-lhe vídeos constrangedores e sinta, através do poder do Wi-Fi, a vergonha alheia;
  3. Reze para que este estranho não publique os seus vídeos na net.

Lá encontrei o estranho, enviei-lhe uns vídeos meus nos quais me esforcei para entregar uma boa dose de croma a tentar ter piada mas que, na verdade, mais pareciam de uma marionete desengonçada, forçando tanto o “ai que sou tão engraçada” que roçou ali o ridículo e a única piada foi só mesmo… a minha pessoa.

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Desde então, gosto de dizer que fui apadrinhada na comédia por este jovem simpático que me “treinou” para uma possível estreia –  ao longo deste artigo vou deixar uns elogios para lhe tocar na consciência, caso tente fazer negócio dos meus registos videográficos.

A oportunidade surgiu bem mais cedo do que eu imaginava – uma semana depois – mas não sem antes ter visto a minha dignidade ser reduzida a uma ervilha seca com os seus comentários sobre a minha vídeo-prestação.

Vá, não foi assim tão mau. Os seus conselhos até foram bastante simpáticos e pensei… olha, ainda existem cavalheiros! “Não faças isto, é só parvo!”; “Falas como se só tivesses 30 segundos para contar a tua vida toda, respira!”; “Tens de mostrar as mamas, ou não te safas!” 

Foram todos estes feedbacks e conselhos altamente construtivos que me encheram o peito para acreditar que seria capaz de subir a um palco para falar sobre… cenas. Se o fiz, a ele o devo. Espero que esteja bom ao nível de elogios, Rui.

Lá preparo religiosamente o meu pergaminho de piadas e achei que estava pronta para um open-mic. Achei.

Os 5 níveis de reação a piadas num espetáculo de Stand Up Comedy:

  1. Silêncio. Tanto silêncio que se ouvem os grilos e o vento causado pelas bolas de pêlo no cérebro das pessoas – a piada não foi entregue;
  2. Risos entre os dentes (incluindo desdentados) – a piada teve graça, mas não era assim tão boa… tipo esta dos desdentados;
  3. Gargalhadas – sinónimo de que tiveste piada e as pessoas estão a gostar;
  4. Gargalhadas + palmas – o elixir do comediante, aquilo que no Stand Up é o ponto alto da atuação;
  5. Gargalhadas + palmas + mamas de fora –  este só acontece se o comediante for gajo ou houver lésbicas no público, portanto, nunca me aconteceu. No entanto, como sou mulher, ponderei mostrar as minhas como último recurso caso estivesse a correr muito mal – vejam por exemplo a Sónia do Big Brother, deu audiências.

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Dada a elevada probabilidade de isto tudo correr mal, apenas avisei um pequeno número de pessoas mais chegadas desta “estreia”.  Lá vou eu, sozinha, ter com o grupo que vai comigo para o estabelecimento naquela noite – quatro gajos, com os quais nunca falei cara a cara, mas algo em mim me dizia que podia confiar neles e que estava segura: Não fiz o buço.

Diz um: “Então, és tu a corajosa que hoje vai experimentar pela primeira vez?” Corajosa, não seria bem o termo que eu usaria. Seria mais algo como: “És tu a tipa sem noção que se vai enfiar à frente de uma multidão de desconhecidos (50 pessoas já conta como multidão) e que está à espera que corra bem à primeira?”

Mas ele lá continuou: “Já viste Stand Up ao vivo?” Eeehhh… não. E ele tremeu por mim. E eu tremi também. Obrigada André por este boost de confiança.

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O MC, host do evento, Eduardo Marques, sabe como deixar uma moça confortável e relaxada na sua primeira vez, bem como criar o ambiente apropriado para o efeito. Lá conseguiu convencer o público de que eu merecia uma oportunidade, depois de explicar que eu seria uma espécie de queca má:
– O que conta é o esforço;
– Com o tempo vai ficar melhor;
– Finjam que foi bom.

E lá vai ela….. “Convosco… DAAAANIELA SIIIILVAAA!”

Primeiro pensamento: Não vejo um caralh#. Quase que dizia isto em voz alta, porque não conseguia ver o público com as luzes do palco, mas depois lembrei-me que começar com um “Ninguém me avisou que ao chegar aqui não ia conseguir ver um caralh#”, podia ser um bocado mau como primeiras palavras.

Optei por dizer: “Ninguém me avisou que ao chegar aqui não ia conseguir ver… a ponta de um corno!” Ah… Muito melhor, Daniela! Nível 1 de piadas alcançado – grilos.

É agora que mostro as mamas?

Para suavizar a coisa, comecei com um “Já que me deram estes 5 minutos, queria aproveitar para… fazer um strip.” Ok, nível 2 de piadas alcançado – Sorrisos entre os dentes.

Vou hiperventilando aqui e acolá, e lá vou debitando as minhas piadas, que não posso divulgar aqui, caso contrário preciso de trocar de texto para os próximos open-mic. Estou a brincar… Ninguém repete texto, né?

Como era a inexperiente da noite, ninguém estava à espera do improviso e do atrevimento de me meter com um jovem que estava no público – até eu fiquei admirada comigo mesma – mas resultou muito bem. Nível 4 de piadas alcançado – as pessoas deram gargalhadas e bateram palmas. Drop the mic… já posso ir embora.

Mas não… que eu comecei a gostar daquilo e fui até ao fim! E agora? Agora vou ter de voltar! Mesmo cheia de tiques e de uma ameaça de caganeira nervosa pré subida a palco, gostei de falar para pessoas e fazê-las sorrir.

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Não é fácil… não é fácil ir ali para cima, sozinha com um microfone, à frente de várias pessoas confortavelmente sentadas às quais consegues ler os pensamentos: “Faz-me lá rir, mostra lá do que é capaz!”

Convido todos os seres com taxas de basófia acima da média a experimentarem isto. Vou adorar ver-vos borradinhos.

Fica aqui o agradecimento a um acolhimento caloroso feito por estes bons e divertidos rapazes que me deram muita força para começar e para continuar.

Fica também a promessa de que vou voltar e, da próxima vez, aviso para que possam ver-me ao vivo. Quem sabe é desta que corre mesmo muito mal e mostro as mamas…

Uns meses se passaram e tenho voltado! E como gosto de ser engraçada mas também gosto de ser útil, sabendo que há muitas almas por aí fora a fritar miolos para experimentarem Stand-Up Comedy, peguei na minha vasta experiência e sucesso e criei uma espécie de guia para totós de iniciação à arte!
Se queres experimentar ou conheces alguém que queira, aqui fica:  Stand-Up Comedy – Como começar? Espero que ajude de alguma forma!


Agradecimentos ao André Barbosa e ao meu Padrinho oficial na Comédia, Rui Lourenço, que me acolheram e arriscaram a possibilidade de lhes estragar a noite caso eu fizesse má figura. O que também teria a sua piada.

Agradecimento também ao Eduardo Marques por ter conduzido as expectativas do público ao núcleo da terra. Já agora, subscrevam o seu canal – Rúcula Humor  – que ele volta e meia mostra o cú.

A atuação teve lugar no Fé Wine & Club que proporciona volta e meia sessões de Stand Up Comedy. Fiquem atentos à pagina deles caso queiram ver uma cena destas… pode ser que seja à borla. E se não for, também não vão ficar tesos por 5 euros.

Esta merd@ já vale uns finos pela publicidade. De nada.

Ajuda o pêlo a crescer!

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