Pêlo na Venta experimenta | Surf

Prometo não voltar a queixar-me de Stand Up Paddle. O Surf é o pináculo demoníaco dos mares e a sensação física está perto de como seria levar um arraial de porrada do Sr. Poseidon. Felizmente, sobrevivi… e ainda tenho os dentes todos. Vê o vídeo aqui.

Inscrevi-me numa espécie de convívio para iniciantes ao Surf, juntamente com uma aula de Yoga. Com o Yoga já estava familiarizada, por isso a minha curiosidade era mesmo sobre o Surf e as minhas expectativas, como já tinha feito SUP, eram bastante realistas: “Não te armes aos cágados, mas acredita que vais conseguir”. Só que…

Se subir a uma prancha de SUP em água doce é parecido com montar um touro mecânico comandado por alguém com os copos, entrar no mar com uma prancha de Surf e atravessar a rebentação das ondas é como tentar caminhar numa poça de areia movediça com uma mangueira de incêndio na mão, completamente descontrolada pela pressão da água – não controlas.

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Apparel

Os desafios começam na hora de vestir o fato. Estão a ver quando tentam calçar (sempre ouvi dizer que as extremidades (pés e mãos) se calçam e não se vestem, mas fico sempre na dúvida), umas luvas de latex com as mãos húmidas? Isto é parecido.

O fato ainda não estava completamente seco e aquilo simplesmente não passa! Puxas, puxas… e o fato não sobe e parece que vais descolar a primeira camada de pele do teu corpo. Adeus epiderme. Imaginas como se sente o Deadpool: fato justo e peles arregaçadas.

Consegues enfiar as pernas! Boa, agora só falta a outra metade e missão cumprida. Apertas o fecho e passas do Deadpool a Power Ranger preto mas sem máscara… e sem skills de combate porque já vamos chegar à parte em que levamos na tromba.

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Transportar a prancha

Carregar as pranchas da escola de Surf até chegar ao mar é tarefa para dois. Não porque são pesadas (têm um peso q.b.) mas porque embora a praia esteja a cerca de 300 metros, mais parece que estás numa peregrinação do Porto a Fátima. Então, não era já ali? Não.

Ah pois… não é só apanhar umas ondas, começas o treino muito mais antes de ir para o mar. E lá vamos nós, todos em pares e cada par leva duas pranchas. Vai um à frente e outro atrás, segurando uma prancha de cada lado como quem leva uma maca. Pensando sobre isso, já deve fazer parte do treino caso alguém se vá esquecer do pulmão na água.

Não dá para coçar o nariz agora, ou tirar a areia dos olhos que o vento te decidiu cuspir – estamos no norte e a nortada faz questão de marcar presença. Segue a comandita, super organizada em fila indiana, como se tratasse de uma caravana de autocarros em areias do deserto – as pranchas parecem ter 2 metros de comprimento e é preciso calcular as curvas, gerir a tração traseira e dianteira nas subidas e o ABS nas descidas (é, devo ter uma cena com metáforas de automobilismo).

Chegamos à praia no dia seguinte (foi 3 minutos depois, mas pareceu mais) e forma-se um círculo tribal para ouvir as indicações do professor.

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Nada a apontar aqui: desde as dinâmicas de aquecimento até às instruções de segurança, tudo impecável e divertido. Mas sabes que vai ser ainda mais divertido colocar tudo o que ouviste em prática… dentro do mar.

Observamos e ouvimos atentamente as instruções e demonstrações de como subir para posição de surfista, desde o ready, set, go até alcançar o almejado “Uh-uuh!”. Isto, ainda em cima de areia, parece coisa para meninos. É tão fácil como tentar controlar a mangueira de que falei no início… só porque ela ainda está desligada (ou fechada vá) – #pinners.

Praticamos mais um pouco, cada um na sua prancha, para que o movimento comece a sair o mais natural possível, e lá vamos nós, a arrastar a mangueira, perdão, a prancha em direção ao mar, quais atletas olímpicos, cheios de esperanças em trazer uma medalha para a nação.

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Entrar no mar

Liga-se a torneira em pressão máxima e gente… nem o orgulho! Nem o orgulho trazemos de volta, quanto mais medalha. Mal pões o pé na água (para florzinhas de estufa como eu) é como se pisasses um terreno revestido a facas com gomos afiados. Depois de três ginchos e dois “f#d@-se, c@r@lh# está mesmo fria!”, já estás molhada até ao pescoço.

O mar é como aquele puto que decide saltar para a água a fazer uma bomba mesmo ao teu lado, quando ainda não conseguiste ter coragem para molhar o corpo acima dos tornozelos – as ondas estão-se a marimbar para o teu tempo de preparanço mental. E enquanto avanças, despedes-te do teu orgulho que se vai dissolvendo na água.

– Round one, fight! –

E começa a sessão de Mortal Kombat entre o Power Ranger Preto e o Poseidon mal humorado: É prancha para uma lado, é Dani para o outro. É onda na tromba, é onda nas costas. É Dani a tentar avançar para a frente, é onda a levar a prancha para trás. É prancha no ar, é dignidade no fundo do mar… muito giro. 😑 E neste momento pensas em todos os dias em que te negaste a ir ao ginásio. A tua condição física está com mais vergonha de ti do que tu dela. #shameonme

Após várias bofetadas de salitra, uma caldo de marisco no papo, dois olhos demolhados em Spray Pimenta e um corpo quase inanimado, o Instrutor vem dar umas dicas e uma ajuda (pergunto-me como é que ele terá adivinhado que precisava). As dicas, e a ajuda, mudam tudo, a coisa começa a fazer sentido e sentes finalmente que há esperança para ti.

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Estás a surfar

Hell yeah, agora vai! Sentes a prancha a deslizar, fazes o ready, set, go e… Estou a surfar! Ficas 2 segundos em cima da prancha e já achas que nasceste para seres a versão feminina do McNamara. “Uh-uuuh!” – É uma sensação curta, mas brutal. Ficas de peito cheio (de ar, não de água) e já só queres repetir. E repeti, sem instrutor e consegui ficar na prancha desta vez… 3 segundos. Mais um “Uh-uuuh!” e começas a ficar ainda mais corajosa, motivada… e convencida.

Como os teus níveis de confiança aumentam, e com eles a impaciência de apanhar outra onda, e não querendo arranjar desculpas mas o mar não estava nada flat (ó para mim a falar à surfista) lá me atrevi a escolher uma das ondas que chegavam umas atrás de outras. Esta é minha, sai da frente Guedes!

Bom… escolhi mal. Apanhei uma onda delinquente: Estou deitada na prancha de costas para o mar, a onda levanta-me a matrícula traseira como quem saca uma égua de Zundapp. A ponta da prancha enfia-se na água, a Dani capota de focinho ao fundo do mar e a onda rebenta mesmo por cima de mim.

– Fatality –

Glup-glup, catrapum para um lado e catrapum para o outro. Glup-glup, um Vira do Minho e mais cambalhota, menos cambalhota, e é isto a que eles chamam de entrar na máquina de lavar roupa. Fascinating… Faz sentido. Agora percebi.

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Lá consegues subir à tona da água e sentes-te de imediato grata! Primeiro porque estás viva, depois porque te apercebes que acabaste de sair de um tratamento de beleza à pala. À pala não, que a experiência custou-me 15 euros… mas se pensar que tive direito a um pack com esfoliação corporal com areias marítimas, uma bebida Detox salgada para hidratar os orgãos e um peeling facial com uma gosma que mistura saliva e ranhoca, nem foi caro – #umdianospa.

Ehrr… Se calhar já está bom por hoje, não? Podemos arrumar a prancha? Vamos ao Yoga? #caguinchas #nãohápulmãoqueaguente

Para terminar, deixo claro que gostei muito! Gostei mesmo e valeu cada cêntimo. Por outro lado, também trago bem fresco na minha mente que o mar deve ser respeitado e que, com tempestade no mar, Dani fica em terra. Mas vou voltar e tentar da próxima vez, em vez de apanhar ondas delinquentes, apanhar apenas ondas do Colégio do Rosário.


Os agradecimentos hoje vão para a Onda Magna Surf School e para a Oficina de Yoga. Em especial para o Pedro e para a Isabel que foram 5 estrelas quer nas hostes, quer na instrução. Gente porreira e que devem conhecer e visitar para saberem como podem fazer estas coisas fixes também.

Ajuda o pêlo a crescer!

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