Pêlo na Venta experimenta | Stand Up Paddle

A prancha de Stand Up Paddle devia era chamar-se balancha ou pradança, já que aquilo só balança e dança, assim que nem uma louca descontrolada.

Depois de conseguirem ficar em pé (o que eu achava já suficientemente difícil) têm de controlar duas pernas que mais parecem pedaços de gelatina mal acabada de enrijecer, um core que qualquer inspiração mais para o brusco consegue destabilizar e, nas mãos, uma pá de padeiro que não é para vossemecês açoitarem aranhas de água, mas também ainda não sabem muito bem o que fazer com ela, pois só nos abana de um lado para o outro – como se estivéssemos a dançar um pimba gostoso com um pé de chumbo. Uma espécie de ginga húmida e é preciso controlar isto tudo.

Adicionalmente, temos o lembrete frequente de que a água deve estar uma autêntica arca frigorífica, a uma temperatura capaz de congelar um bode em 10 minutos, e que cair de chapa lá de cima (porque parece que ficamos muito altos) é capaz de aleijar.

Mas comecemos pelo princípio.

tenor (2).gif

1. Montar a prancha de Stand Up Paddle: 

Sim, aquilo monta-se. Eu explico: Não estamos a falar de subir para cima dela. Algumas já vêm tipo chave-na-mão, outras é preciso encher. Encher? Dufuq? Isso mesmo, são insufláveis. Portanto, primeiro comes um leitão à bairrada, bebes dois copos de tinto (daqueles que pintam os cantos dos beiços) que é para ganhares força. Depois vais dar ao kick mas com as mãos, tipo numa bomba de ar daquelas de encher bolas de pilates. Ora e porque é que a bomba não é elétrica? Porque assim o aquecimento já fica feito, diz o instrutor. 😑

Três quartos de hora depois, dois braços dormentes, um transplante de pulmão e uma eau du toilette à lá Zé Povinho estamos prontos para ir à água – literalmente. Pois para subir na prancha temos de molhar os presuntinhos aí até ao joelho –  e a água está fresquinha como só o nosso norte Atlântico tem. Tão boa.

altantico_naufragio

2. Subir à prancha de Stand Up Paddle:

Instrutor: “Olha o leash no pé.” Tudo o que eu ouvi foi: “Olha o lixo no pé.” Lixo? Não tenho nada no pé! “Exato Dani… Tens de por o l-e-a-sh… no pé…” e já estamos a começar bem;

Instrutor: ” Sobes e sentas-te sobre os gémeos com as mãos na prancha enquanto seguras a pagaia.” O que sentimos é que não estamos em cima de uma prancha mas sim em cima de um touro mecânico, comandado por alguém com os copos. Mas lá encontramos o equilíbrio incentivados pela água que continua a parecer demasiado fria;

Instrutor: Agora levanta-te e ficas só de joelhos, vamos começar a usar a pagaia.” Nada tão mau como a primeira sensação do touro mecânico, embora não faças a mínima ideia do que fazer com as mãos, pois só não queres perder o remo. A pagaia, desculpem. Achas que vais levar com o cabo da pagaia na tromba a qualquer momento mas concentras-te e, a esta altura, já apanhamos a manha da prancha. Ela começa a perder o efeito surpresa e nós começamos a perceber como responder com o corpo para domar a bicha demoníaca;

Instrutor: Boa, agora vamos levantar!” Errr… f#deu. Não vai acontecer. Como assim… levantar? Como é que…? Pi-pi-pa-rou!

3. Ficar em pé na prancha de Stand Up Paddle

Esta é a parte em que temes (e tremes) pela vida, em que te lembras que nem sequer está calor porque o verão foi de férias com o S. Pedro, que abaixo da curta linha de visibilidade da água está um buraco negro de lodo e verdete e tu estás de cuecas de banho mas tens uma t-shirt térmica e, por isso, afinal está tudo bem.

Instrutor: O segredo é colocares o centro de gravidade do teu corpo na vertical, perpendicular ao centro da prancha. Dobra um pouco os joelhos e os pés ficam paralelos, centrados e afastados criando atrito na prancha.” Oh biomecânica, não devia ter copiado no exame! Lá passei no exame sem nega (não no exame de biomecânica, também passei nesse sem nega mas agora estava a falar no exame de me por de pé).

 

4. A viagem

Et voilá – ó para ela de pé, confiante (bem, mais ou menos) e começo a dar as primeiras remadas, braçadas, paddledadas, pagaiadas… não sei como se diz.

A coisa flui… e quando damos por ela, somos Deus-Todo-Poderoso (ou esse era o Bruce?) a andar sobre as águas. Tão brutal que é difícil descrever a sensação… incrível.

A brisa bate-te na cara e até ajuda a desfrutar da viagem. Silêncio. Paz. Natureza. Ouves o vento nas árvores, os passarinhos, a água a bater suavemente na prancha, admiras a paisagem, é quase mágico, sentes-te a deusa das águas e…

XU-PLÁAA… F#DA-SE! Está gelada p’ra c@r@lh#.

pool_fail

5. Construindo confiança

Como já estás um pato molhado e já sabes a que temperatura está a água, já não tens nada a perder. É então que a minha veia de yogi vem ao de cima: Vou fazer aqui uma ponte! Não, já sei, vou fazer uma Bird Pose! Melhor, melhor: Vou-me equilibrar numa só perna. Numa só perna? Para ti até faço o pino!

E então isto aconteceu, olha o náipe dessa sujeita:

Até me safei bem, não? 😎

A experiência repetiu-se por duas vezes mas, para já, está bom assim.


Obrigada Rui Ramos pela disponibilidade, registo de imagens e uma tarde do bem! 🙌

Ajuda o pêlo a crescer!

One thought on “Pêlo na Venta experimenta | Stand Up Paddle

  1. Daniela Ribeiro says:

    Comentário vegetariano para o Ego! xD Gostei muito do testemunho, principalmente da parte dos beiços (LOL, era para acompanhar a refeição!)
    Parabens, vou continuar a ler! ❤

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.